*Ilusões no Espelho*


Último Título do Fim

Enfim
o fim e o
começo.

Enfim
nada termina
cedo.

Enfim
algo pede licença
retira-se
e sai.

Algo se desfaz para ressurgir novo...

Enfim
alago os olhos
e consinto.

Que o Fim nasça,
avolume-se, dê cria!

Pois de seus filhos
o solo alimenta-se fértil
e anuncia
nova vida
a cada instante.

Enfim
aquele fim
já esperado.

O Fim –
sol que emudece escuro
para logo alvorecer.

No começo,
o fim é o sorriso certo
de um início
prestes a florescer.

E este Fim...
Tão fim... Enfim,
fim como os fins
que perambulam
sobre nossas hastes
todos os dias;
contrastes
ameaças
alianças...

Este Fim,
enfim
viveu.

P.S. : Com este poema me despeço deste blog e de todos vocês. Acredito que ele teve o seu momento e o seu motivo e, por alguma coisa que eu não sei explicar, o seu ciclo se fechou, é hora de silenciá-lo. Agradeço a todas as contribuições, aos comentários, aos amigos e colegas que participaram comigo desta experiência. Pretendo criar um novo blog. Ainda estou no processo de elaboração e reflexão, não sei quando tomará existência. Quando isto acontecer, tratarei de informá-los. Um beijo sincero e até logo!

 Escrito por Carol Petersen às 04:45 PM
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Repentinamente, algo lhe chamou a atenção. Eram barcos à vela a aproximarem-se da costa. Todos vermelhos, de mastro branco, suavemente escorregando pelas ondas que vinham arrebentar na costa.

Mais longe, percebeu um navio, nem tão grande nem tão pequeno, um navio sério. Estava parado, como se espreitasse cada movimento nas redondezas.  

Achou que era um sonho, mas pela textura das formas, pelo brilho das cores que se elevavam em função do sol aberto e já alto no céu, percebeu que era aquele talvez o dia, o grande dia, o maior.

E a areia, inexplicavelmente, soava mais branca do que nunca. Levantou-se vagarosamente, deu alguns passos, como se lhe ausentasse qualquer força. Seus olhos sustentavam o azul imponente do mar e não desviavam por um segundo dos pontos rubros que ali cresciam. Seus braços pendiam inertes; seu corpo, em vertigem, travava uma âncora no espaço. Era agradável... como era agradável...

E soube, simplesmente soube então que venceu. Estar ainda ali, a resistência a tudo, a si. Deu-se conta do poder que emanava daquela cena, da sublime cadência de dias, momentos, enfim, o tempo organizou-se e suscitou, na perfeita harmonia de seu embalo, este segundo triunfante de gozo.

De súbito, soube, um turbilhão invadiu sua alma, não poderia chegar além se partisse. Era preciso resistir, ultrapassar limites era resistir. E já naquele estágio, este era o único motivo claro para a sua existência.

Dobrou os joelhos, caiu na areia morna, reclinou a cabeça e beijou aquela terra de tamanha feracidade. Levantou-se, não chegou a entrar na tenda, seus passos seguiram para o outro lado da ilha. Seriam alguns dias de viagem até que lá chegasse, meditaria no caminho. A cena que se ocultava atrás de si conspirava a seu favor, era sagrada, era o que de mais íntimo levava como memória e como esperança.



 Escrito por Carol Petersen às 11:16 AM
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Canto da unha

Rosna

Impossível .

                   .

                    .

 

Arraigado e úmido

Já não cede,

Seca a sede que

A U M E N T A

Ah! ter-lhe forças para a morte

Talho exato, sono da inexistên (...) cia

 

Talhos e mais talhos

Seguem novos instrumentos que de novo não dão em nada.

Ahr, já farta!

 

Rosno plasmou-se em latidos

Ressoa em gemidos

de lacônicas vestes.

Algo de fora

talvez aqui

algo incomoda

e disto sorri...

                                               ...embriagad   o (a)

 

E escapa

     Scapa

       Capa

         Apa

            Pa

              A



 Escrito por Carol Petersen às 11:01 PM
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Elementar

As algas azuis do céu

me abraçam,

se entrelaçam em meus cachos

ledos, caramelo em véu.

 

Em pingos e respingos,

do cosmos doada

a fragrância respiro.

Os pingos do pranto

pungente trepidam

na secura dos meus agudos vértices.

 

E da terra medram meus pés crus.

De alma limpa.

De contorno ousado.

Criam na brancura virtual do espaço

seus riscos borrados,

modestas lanças.

 

Alcanço?

Só vejo em lampejo raros pontos soltos.

Matéria em desejo amontoa-se em glomus.

(Fio que tece tecido longo,

que encobre o amplo além-mim).

 

Uma amálgama sobressai.

Resta a entrevisão:

Pouco de fora, sombras por dentro;

ilusão de tocar-te puro.



 Escrito por Carol Petersen às 03:40 PM
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Lá dentro,

murcha,

luzia.

Ainda que bipartida

crescia,

para o trôpego túmulo

interior.

 

Gruta

Concha

Que de nós se fez espelho

avesso.

O ocaso do escândalo:

Silêncio.

Grinalda,

furor.

 

Plasma.

Um coma do milagroso

engenho.

Em gotas o purpúreo

veneno

respira

dentro.

 

O lar de fenômenos

disformes.

Símile áspera e turva

deiforme,

peremptória

— verbo mor —



 Escrito por Carol Petersen às 12:32 PM
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A manhã

Fios lustrosos
Cor manga madura
Pintam no corredor
Um dégradé manso.
Em andar instintivo
Sigo (sinto-te em fluidos, suculento abraço).

O piso é grave,
Talvez ele desconfie dos meus passos.
Ele cede caminho,
Sem egoísmo,
Mas não retribui o meu sorriso carnudo
(virei pelo avesso meus lábios).


Supremo altar
Enfim alcanço-lhe e vejo
Minha suave espera
A vazar
Pelas sinuosas arestas suas.

Flor atada
Compacta
Silente -
Hiberna o luxo
Em botão para si.
Criminosa! morre meu anseio:
Rever a cor dos teus olhos nus,
Brotando vivos em plena primavera.


 Escrito por Carol Petersen às 02:17 PM
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Neste exato momento, não sei o que declarar. Talvez sejam tantas as idéias que quero transmitir que fica difícil para eu aqui expô-las. Começarei por um fato que acredito alguns ainda desconhecem. Estou em São Paulo, morando sozinha por aqui. Mudei-me em Fevereiro para aqui desfrutar da formação acadêmica que sonhei e projetei por muito tempo para mim. Eu vivo hoje o meu sonho de ontem. Mas não mero sonho, devaneio: um sonho cuidadosamente construído e transformado em realidade através de muito esforço, muito trabalho. Estar hoje aqui, estudando na Universidade de São Paulo, desvendando os primeiros mistérios do curso de Letras, familiarizando-me gradativamente com as novidades e os desafios, bem, posso dizer que isso é uma valiosa recompensa.

Quero tocar agora em um ponto de extrema importância: o papel de meus amigos e familiares nesta jornada. Sei ser evidente que tais pessoas foram indispensáveis para o encaminhamento de tudo, mas nunca é demais enfatizá-lo. Resume-se muito na confiança que em mim depositaram, no respeito às minhas decisões, no incentivo e no apoio as minhas atitudes... Eu agradeço a estes, com todo o meu carinho.

Nossa, eu mal sei quais novidades depositar aqui para interá-los do meu estado. Na falta de tais, digo-lhes apenas que está tudo bem, que caminho confiante por estas trilhas ainda tão selvagens, faço tudo com entusiástico amor. Estou feliz. Muitos são os motivos. Motivos diversos e espraiados por todos os lugares, períodos, dimensões. Este meu canto aqui, me blog, no qual muito me foi necessário e me trouxe alegrias continuará soluçando um pouco das minhas tortas linhas, continuará esboçando a criação desta pessoa que agora lhes escreve.

Unida às mais amplas utilidades desta página, passo agora a depositar notícias, experiências vividas por mim numa forma de comunicar-me melhor com todos. Acrescento agora esta nova forma de expressar-me. Será facilmente perceptível devido à letra em itálico que lhe darei nesta circunstância (como vocês podem verificar agora). A existência do blog, no entanto, dá-se devido aos meus textos literários e poemas aqui postados, este é o grande sustentáculo do Ilusões no Espelho, assim como poder ouvir as melodias entoadas por outros ao depararem-se com estes.

A saudade é grande, poucos são os meios de amenizá-la. Muito de mim está em Salvador, muito do que amo e do que me é necessário. Algumas escolhas são duras, não? Há sempre um limite sutil entre as coisas, os destinos, os sentimentos. Mas nós não somos só o que supomos que somos. Somos o que semeamos no outro, o que o outro nos cede; somos os vislumbres da memória, as projeções futuras; somos o que criamos nos seres diversos, o que transparecemos na natureza; somos a beleza que suscitamos em cada instante; somos o verbo por nós proferido e guardado em eco pelo tempo; somos múltiplos, células totipotentes ávidas pela transformação; somos história viva, em construção, por isso aqui me despeço com um abraço e uma sugestão: sonhem.

 



 Escrito por Carol Petersen às 10:11 PM
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Espero encontrar

o belo

na beleza das coisas

que a mim aparecem

Entender o simples

do mais absurdo dos movimentos

Expandir

o revérbero

subterrâneo dos seres

A fossa latente

da luz,

que rasgue férvida

os novos campos

Descortina-se o tempo

vejo passado presente futuro encrustarem-se

sob meus pés

Não há incerteza

fatos intactos

que se complementam

impávidos

primorosos

Não é busca

nem negligência:

poros apurados respirando cor,

sorvendo deleites

Por puro impulso

despretenso

compreendo as formas

miméticas

que irradiam

Meus pés

um ao lado do outro

desalinhados

curiosos

Num balanço

a vista seduz

- frenesi -

os pés despregam-se

em arremeço



 Escrito por Carol Petersen às 01:04 PM
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Aqui

Muito tempo longe. Saudades enormes. Espero logo retornar firme aqui.

 

Vamos louvar a calma e a indulgência

do seu gemido, do seu suspiro.

Vamos brindar a tristeza soterrada

pelos seus olhos

fechados,

intactos.


O caminho da fonte enérgica foi interditado.


Você

e seu mundo apático

a nada respondem.


O esmero, este que era doce,

frustrou os sonhos

da flâmula que lhe brota inata.


Senhora das alucinações:

tira-me da realidade

ou faz sumiço dela.

Não suporto mais esta aridez.



Senhora dos palácios idílicos:

quebra a corrente,

coloca-me livre

ou morrerei sem lhe conhecer.


Um mais recente, fiz enquanto andava por aqui, sozinha:

Pensei na solitude dos teus olhos

e não pensei.

 



 Escrito por Carol Petersen às 12:01 PM
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Não vieram...

As pedras

não foram

o que deveriam ter sido.

Não foram pedras,

não marcaram minhas costas

com a violência,

não macularam meu corpo

com a vingança.

 

As pedras

deixaram-se ser

mais brandas,

mais sonoras (a água morna

que as percorrem

imprimem-lhes música).

Não as entendo,

pois esperava a raiva,

confiava no castigo

que receberia por minha

ingratidão,

por minha injúria

escandalosa

que eu nunca soube silenciar.

 

Ansiava pedras de pedra

para deter meus espasmos infames.

Esperava as pedras áridas

da mão rija,

do coração ferido,

da consciência insultada.

 Escrito por Carol Petersen às 01:33 PM
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